Jeanine Rolim
Psicóloga, pedagoga, escritora e palestrante. Pós graduada na Teoria da Modificabilidade Estrutural Cognitiva de Reuven Feuerstein e especialista em Terapia Cognitivo Comportamental. Com grande experiência em gestão educacional, atuou por dois anos junto à população de risco numa ONG colombiana. Atualmente é psicóloga clínica e palestrante nas áreas de psicologia e educação, além de comentarista de rádio e Tv nos temas relacionados a comportamento. Autora dos livros Bullying sem blá-blá-blá em suas duas versões (infantil, pais/professores).
86804145

A calçada e o coração.

Esta manhã varri a calçada em frente a clínica. O vento não estava muy amigo e pra cada folha levada à pilha, pareciam voar outras duas ou três. Indignada com a ventania, cogitei desistir, mas, ainda que me sentindo o próprio Sísifo, persisti.
Impressionante a quantidade de coisas que passaram em minha cabeça enquanto fazia isso. Aliás, varrer é uma daquelas coisas que enquanto se faz, voa-se. Não na vassoura, mas nos pensamentos.
Aquilo tinha tanto a ver com qualquer uma das mudanças experimentadas por nós a cada desafio apresentado pela vida… As tentativas de colocar as coisas em seu lugar, “limpar as sujeiras” que se acumulam em nossas emoções, deixar-nos transitáveis, organizados, funcionais. Ah como são trabalhosos estes dias em que nos propomos a encontrar novos jeitos e abandonar os que já não nos servem. Os mais bruscos ventos surgem dos mais improváveis lados, e desistir parece o mais inteligente a se fazer. Parece.
Folhas e atitudes… ambas teimosas. Mas os ventos, estes meu querido, lembre-se, são inconstantes. Hão de se acalmar, a tarefa será menos árdua e, quem sabe, apareça alguém para ajudar a segurar a pazinha, tornando tudo mais suave e menos solitário. Foi assim hoje cedo, consegui. A calçada , perfeita, e os pensamentos ao vento.
Recompus-me, lavei as mãos e voltei ao consultório à espera de meus queridos pacientes. Era a minha vez de segurar a pá, e fazer companhia a quem bravamente tem recolhido suas folhas, para deixar seu jardim mais leve.
Que os ventos não nos façam temer, antes nos tragam a coragem para crer e prosseguir.

Publicado em: http://jeaninerolim.blogspot.com.br/

 

Sua opinião é importante, comente!
Leia também