Jeanine Rolim
Psicóloga, pedagoga, escritora e palestrante. Pós graduada na Teoria da Modificabilidade Estrutural Cognitiva de Reuven Feuerstein e especialista em Terapia Cognitivo Comportamental. Com grande experiência em gestão educacional, atuou por dois anos junto à população de risco numa ONG colombiana. Atualmente é psicóloga clínica e palestrante nas áreas de psicologia e educação, além de comentarista de rádio e Tv nos temas relacionados a comportamento. Autora dos livros Bullying sem blá-blá-blá em suas duas versões (infantil, pais/professores).
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A fé no amor

Nada nesse mundo vem tão pronto. Um filho então, ah que criaturinha mais inacabada, na verdade apenas começada ali bem dentro da barriga da mãe. Mas então quando nasce, nós, os supostamente adultos da relação, logo nos dedicamos ao tal “acabamento”… Começamos dando um nome, uma família, uma casa, uma identidade. E, nesse pacotão de “coisas que você é”, não poucas vezes, damos também a ele uma religião, um caminho espiritual a ser seguido, uma fé.

Comum nos perguntarmos se esse é o certo ou o errado. Somos tão cartesianos! Quem disse que em matéria de filhos acertaremos sempre? Fazemos o que julgamos ser bom a eles, tal qual nos tenha sido. E não obstante, repetimos muito do que fizeram a nós, salvas as ressignificações, as releituras, as aprendizagens que os anos nos trouxeram e que, graças a Deus, nos fazem mudar!

Muitos batizam ainda bebê os filhos, outros preferem dar a eles o direito de escolher a sua própria fé, quando a maturidade lhes permitir. Melhor esse ou aquele caminho, não importa. Apenas aos pais e seus filhos cabe tal grau de cumplicidade, é outorgada tamanha autoridade e, oxalá em muitos casos, apenas a eles é possível a liberdade. Liberdade de dizer aos já não tão pequenos rebentos sobre a sua própria escolha do caminho espiritual a seguir, sem medos, sem amarras. Mas com a leveza de declarar aquilo em que acredita e porque acredita, sem imputar ao outro aquilo em que deve acreditar.

É profundo demais, é puro demais. Não é tão simples como definir a escola em que eles estudariam quando tinham 6 anos.  Já não moram na barriga da mãe ou sob as asas do pai.  Hoje eles pensam, sentem, percebem, acreditam (ou não). A nós, os tais adultos, cabe a sabedoria do mostrar em e com amor aquilo que nos traz a paz ao coração e docemente convidá-los a, conosco, crer. Exigir jamais. Não seria um gesto de quem ama, e a fé nada é sem o amor.

Ame-os também com a dádiva da liberdade e isso certamente lhes será por testemunhal da legitimidade da sua fé. Talvez naqueles dias de dor, eles corram a você como um referencial de alguém que sabe a Quem clamar.  Mas talvez não. E aí, o seu amor encobrirá as diferenças.

Dê a seu filho uma semente de fé. Ajude-o a regá-la, cultivá-la e a cuidar dela até que uma árvore surja. Depois disso, ele poderá meditar à sombra dela, descansar, fazer ali sua morada ou simplesmente deixa-la ali. Essa decisão só cabe a ele, mas se a decisão for pela moradia, é melhor que a árvore exista. E foi você quem a “iniciou”.

 

Jeanine Rolim

 

Publicado em Revista Psicobela, disponível em: https://issuu.com/clecyo/docs/psicobela_digital_11_25jun2014/0

 

 

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