Jeanine Rolim
Psicóloga, pedagoga, escritora e palestrante. Pós graduada na Teoria da Modificabilidade Estrutural Cognitiva de Reuven Feuerstein e especialista em Terapia Cognitivo Comportamental. Com grande experiência em gestão educacional, atuou por dois anos junto à população de risco numa ONG colombiana. Atualmente é psicóloga clínica e palestrante nas áreas de psicologia e educação, além de comentarista de rádio e Tv nos temas relacionados a comportamento. Autora dos livros Bullying sem blá-blá-blá em suas duas versões (infantil, pais/professores).
620x452

Liga pra minha mãe!!!

Todo ano é a mesma muvuca… Criança chorando para um lado, mães pro outro, cenas antigas de um novo capítulo: a costumeira adaptação dos pequenos na escola. Tá, é verdade que muitos já passaram dessa fase e têm seus rebentos já grandinhos, de vento em popa pelas escolas da vida. Mesmo assim há aquela apreensão de início de ano: “Será que ele vai gostar da professora nova?” ou “E agora, a melhor amiguinha dela mudou de escola e ela ainda não sabe… Vai sentir a maior falta!” e a básica: “Mudei o Joãozinho de escola, tomara que ele se adapte à nova rotina…” É mesmo muita emoção condensada num único mês!

Mas disso todo mundo fala… Os jornais, os sites, os grandes educadores. E o fazem com propriedade. Por isso, embora sejam relevantes, não me prenderei a tais questões. Quero falar do outro lado da moeda: O dos professores! Nós, a cada novo ano, precisamos nos readaptar completamente. São 20, 30 carinhas inteiramente novas a cada 365 dias! Simplesmente uma nova equipe de trabalho, com a qual temos que nos adequar haja o que houver, seja como for, e mais: gerar bons resultados!
Afinal quem de nós nunca questionou sua própria capacidade diante de uma série até então não trabalhada? Os desafios são muitos… A individualidade de cada aluno, a dinâmica da turma, os conteúdos, o método, a “coord” , a “dire”… Novidades por todos os lados e nós, assim como as crianças, no centro de tudo isso. Com uma sensível diferença: se chorarmos, a “coord” não vai ligar pra nossa mãe vir nos buscar mais cedo!
Mas nem tudo se resume às emoções do início do ano! Aposto que, como eu, em algum dos seus finais de ano você já passou por aquela espantosa sensação ( acompanhada por um típico friozinho na barriga) em que sua consciência desabafa em tom de indignação: “Ahh, agora que estávamos pegando o jeito , eles vão embora!”. E lá se vão nossos pupilos para uma nova série, novos desafios… Um novo professor. Enquanto isso, ainda embevecidas pelo orgulho dos resultados obtidos no ano anterior, nos deparamos com uma nova equipe de jornada: outros 20 ou 30, cheios de vida e peculiaridades… O novo ano letivo começou!

Há pouco mais de um ano não estou em sala de aula, mas sinto como se fosse hoje tal arrepio no estômago… Aquele instinto mais maternal que pedagógico que quase nos impele às lágrimas. Mas sabemos que o verdadeiro mestre, em lugar de carteiras arraigadas ao chão, dá asas aos seus alunos e, embora saudoso, sorri diante do seu voo.

Ansiedade e expectativa no início, orgulho e emoção no final… Que seu ano seja assim, repleto de entusiasmo e novas ideias! Além, claro, de maravilhosos alunos que, acho eu, deveriam ser chamados de iluminados – “alunos”, em sua raiz latina, significa “desprovidos de luz”.

Feliz ano (letivo) novo e força na peruca!!

. Jeanine Rolim .

Sua opinião é importante, comente!
Comentários
  • silvana dos santos

    Amei, simplesmente falou o que ocorre, afinal já viveu o que escreveu e descreveu perfeitamente!

Leia também