Jeanine Rolim
Psicóloga, pedagoga, escritora e palestrante. Pós graduada na Teoria da Modificabilidade Estrutural Cognitiva de Reuven Feuerstein e especialista em Terapia Cognitivo Comportamental. Com grande experiência em gestão educacional, atuou por dois anos junto à população de risco numa ONG colombiana. Atualmente é psicóloga clínica e palestrante nas áreas de psicologia e educação, além de comentarista de rádio e Tv nos temas relacionados a comportamento. Autora dos livros Bullying sem blá-blá-blá em suas duas versões (infantil, pais/professores).
Group of businesspeople communicating

Pequenas mudanças.

Crescemos ouvindo que somos seres sociais. O médico que me deu um

tapinha no bumbum ao nascer, a mãe e o pai que me disseram que eu sou a

fulaninha, filha deles, irmã do ciclano e por aí afora. Definitivamente: somos

sociais. Existo a partir do outro, não há verão com uma andorinha só, a força

vem da união, sonho que se sonha junto é realidade… não é assim que dizem

por aí?

Tudo muito lindo, tudo muito vós, eles, nós. Mas quando menos esperamos,

nos damos conta do quão eu nos tornamos. As brincadeiras em grupo, as

atividades da turma na escola, o encontro dos escoteiros, do time disso ou

daquilo… tudo, absolutamente tudo sucumbe diante da competitividade

obrigatória à sobrevivência num mundo de vestibulares, concursos e seleções.

Ninguém sabe explicar bem como ou quando isso acontece, mas de repente nos

vemos pulando da cama cedo, envoltos “na correria durante o dia”,

atravessando a cidade pra ir vender nosso tempo a alguém em troca de uma

coisa a qual chamamos dinheiro e que nos ensinaram ser tão importante. Por

fim, chegamos “mortos” em casa. Exauridos demais para tudo. Ensimesmados

demais para outros.

Mas fazer o que? A vida segue, os boletos também. É preciso continuar. Será?

Ou a melhor pergunta seria:  “Assim mesmo?” Não haveria outros jeitos, meios ,

formas, de sermos todos menos eu e um pouco mais nós? Precisamos mesmo

de tudo isso? De tantas roupas, carros, casas mirabolantes, viagens alucinantes

e jantares a preços exorbitantes? Em que parte da história se perdeu o

menininho que dividia o sanduba com o colega no lanchinho da pré escola? A

menininha que ajudava a outra a subir a escada então gigante do

escorregador?. Em que capítulo ficaram os jovens idealistas, com mil planos

para salvar o mundo? E aonde é que dorme esse adulto que de vez em quando

chora frente à Tv numa notícia de fome, morte e miséria?

Não somos Deus, não mudaremos tudo. Mas podemos mudar a nós

mesmos um pouquinho, um “muitinho”. Quem sabe uma hora a menos

naquelas tantas extras que fazemos pode se tornar em uma passadinha num

asilo, orfanato, hospital, na casa daquela tia idosa. Uma aula dada como

voluntário, uma flor entregue a um idoso que há tanto não ganha sequer um

sorriso alheio, um telefonema a um antigo amigo. Um beijo, um abraço, um

livro, um olhar.

Seremos, talvez, um pouco mais pobres da “coisa dinheiro”, mas bem mais

ricos de essência, de paz consigo mesmos, de aprendizados e amores dados.

Comecemos.

 

Publicado por Revista Psicobela. Disponível em: https://issuu.com/psicobeladigital/docs/psicobela_digital_15mar2014_issuu

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