Jeanine Rolim
Psicóloga, pedagoga, escritora e palestrante. Pós graduada na Teoria da Modificabilidade Estrutural Cognitiva de Reuven Feuerstein e especialista em Terapia Cognitivo Comportamental. Com grande experiência em gestão educacional, atuou por dois anos junto à população de risco numa ONG colombiana. Atualmente é psicóloga clínica e palestrante nas áreas de psicologia e educação, além de comentarista de rádio e Tv nos temas relacionados a comportamento. Autora dos livros Bullying sem blá-blá-blá em suas duas versões (infantil, pais/professores).
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SOLTEIRONA E DAÍ?

Solteirona é a vó!! Gritou a moça (tá, já quase senhora, é verdade) em resposta aos insultos dos moleques na rua. Indignada prosseguiu em seu direito de resposta “Antes só do que mal acompanhada!!”, até que desistiu de gastar sua lábia e seguiu seu caminho.

Eu hein – pensei eu – será mesmo? Esquisito dizer “antes só…” Soa como se estar “só” fosse algo pavoroso, horripilante, quase inconcebível. Uma tampa solta sem panela (tem coisa mais inútil?), metade de uma laranja esturricada sem sua outra parte para protegê-la ou um rosto partido ao meio… meia boca, caolho, semi-surdo. Ahh, por favor!! Não nascemos com partes faltantes, somos inteiros, completinhos de fábrica. Precisamos parar com essa bobiça de achar que a felicidade ou a in estão subjugadas a um papel assinado, uma casa comum e conta bancária conjunta. A grande verdade é que precisamos ser felizes no “tenebroso mundo da solidão” antes de sair em buscas desenfreadas por alguém para despejar tal responsabilidade. Como diz meu marido: Se você está procurando alguém pra te fazer feliz, tomara que não ache! E antes que as não casadas abandonem o texto por saberem do meu enlace matrimonial, permitam-me a auto-defesa: sou uma ex-solteirona fresquíssima, com pouco mais de 1 mês de casamento à beira dos 40.

Se o “Solteirona!” dos pivetes da rua ofendem tanto, devia também ser xingamento o “casadona!” à tantas Joanas, Marias, Sebastianas que, embora envoltas em uma argola de ouro, vivem presas no calabouço da infelicidade, das mentiras ou desprezos. Estado civil não diz nada sobre ninguém. É tão falível quanto o dinheiro que se tem. Status é ser. É sonhar, trabalhar, conquistar. Ser mulher (ou homem) é por si só suficiente, pois se não for, acredite, ter alguém ao lado não resolverá suas mazelas idiossincráticas, não o fará completo, nem será a razão de sua felicidade.

Antes só? Não sei. Antes eu! Só, com ele, com ela, com-migo. Tanta coisa pra viver, tantos cheiros pra sentir, lugares pra ir, risadas pra dar, histórias pra contar. E se o amor acontecer, que bom. Multiplicam-se os sorrisos, os carinhos, os amigos. E se não, que bom. Que eu tenho a mim mesma, uma cara completa, uma laranja inteira, uma panela com tampa muito bem resolvida, vivida, florida.

Um brinde aos solteiros, aos casados e a todos nós, homens e mulheres além das metades!

Jeanine Rolim

 

 

 

Publicado em Revista Viver Curitiba, disponível em: https://issuu.com/editoraruah/docs/viver.121/32

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