Prof. Pan Cada
O professor Pan Cada é interpretado pelo professor Marcos Meier. Seu objetivo é trazer reflexões importantes sobre educação e sociedade de uma forma irônica e bem humorada. Apesar da dureza de seus posicionamentos, a intenção nunca é de magoar ou constranger ninguém, mas de trazer assuntos à discussão e achar caminhos para melhorar a educação no Brasil.
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Dez perguntas a candidatos – Ou: Chega de doçura! Pan Cada neles!

Chega de entrevistas superficiais.

Estou cansado de ouvir perguntas ingênuas serem utilizadas como plataformas para que candidatos a cargos políticos se autopromovam. “Quais serão suas primeiras decisões se for eleito?” Essa é de chorar. O entrevistado faz a propaganda e a gente tem que assistir passivamente.

“Qual é sua plataforma política?”  Normalmente o candidato nem sabe o que é, mas responde “Vou lutar por mais Saúde, Educação e Segurança”. Sério, qual o candidato que não é a favor disso? É o mesmo que não dizer nada.

Outra ridícula é: “O senhor é a favor do aborto?” Basta ver nas pesquisas que o brasileiro comum é contra, então o candidato diz: “Sou contra, pois sou a favor da vida.” E assim vai. É um festival de enrolação promovido por entrevistas mal preparadas, mal contextualizadas e sem eficácia, pois não atendem ao nosso objetivo que é decidir se o candidato pode ou não nos representar. (Há boas entrevistas, claro, mas são raras).

Assim, para ajudar nossos entrevistadores, jornalistas, âncoras, repórteres ou outros, seguem algumas sugestões:

  1. O senhor registrou em cartório suas promessas ou vai fazer o mesmo que os outros: promete e não cumpre? E se registrou, quais serão suas punições se vossa excelência não as cumprir?
  2. Se o senhor ganhar a eleição vai comer pastel com caldo de cana novamente, ou foi só pra impressionar os pobres?
  3. O senhor vai apoiar, criar e manter projetos de proteção às crianças ou só as beijou porque estava sendo filmado?
  4. Porque o senhor passou a ser religioso quando percebeu que estava perdendo votos entre os religiosos? Já descobriu de que denominação o senhor é? Algum líder religioso pode testemunhar que o senhor frequenta as atividades eclesiásticas com frequência?
  5. O senhor é um gestor bem sucedido em alguma empresa, ou dirigiu algum projeto social de destaque para que possa servir de currículo para sua carreira? Ou está querendo entrar na política apenas porque o dinheiro é fácil e não é exigida a competência técnica?
  6. A polícia internacional quer prendê-lo. Aqui a impunidade o protege. Estaremos todos torcendo para que o senhor viaje ao exterior assim que possível. Por que o senhor não se entrega?
  7. Seus parentes nunca ficaram tão ricos como depois que o senhor ganhou a eleição passada. O senhor recomenda a todas as pessoas que elejam alguém da família? Seu desejo de reeleger-se é para que seus parentes possam continuar a ter empregos mesmo sendo incompetentes para os cargos?
  8. A maioria dos seus eleitores diz: “Ele rouba, mas faz. Vou votar nele”. Seremos um país melhor quando dissermos: “Ele faz, mas rouba. Nunca vou votar nele”. O que o senhor fará na prática para combater a corrupção, mesmo que possam ser seus parentes?
  9. Se o senhor defende tanto a Educação como uma das prioridades do seu futuro governo, por que não continuou estudando? E de onde vai tirar o dinheiro para o aumento salarial dos professores? Já registrou esse compromisso, ou nem sabia que a valorização da classe docente é um dos primeiros passos para levar a sério a Educação?
  10. Se os grandes empresários desse país são ricos por serem excelentes gestores, por que não colocam excelentes gestores para dirigir as estatais? Por que continuam insistindo em colocar políticos?

Outras perguntas desse tipo poderiam ser feitas e as reações dos entrevistados seriam muito interessantes. Elas dariam material para muitos debates e discussões sobre a qualidade da gestão pública e da qualidade dos próprios entrevistados. Infelizmente não sou repórter e os corajosos que tentaram fazer perguntas desse tipo não estão mais na mídia.

Portanto vamos continuar a assistir a entrevistas com perguntas “profundas” como “O que o senhor pretende fazer se vencer as eleições?” e ouvir respostas iguais a todas as outras que já foram dadas há séculos.

Entrevistadores, tenham amor ao Brasil, não tenham pena dos candidatos. Se o futuro político é bom mesmo, saberá responder com sabedoria. Se for um falastrão, ficará magoado e vai querer interromper a entrevista. E aí saberemos se o sujeito tem maturidade emocional, pelo menos, para conduzir nossas cidades, estados ou país.

 

Professor Pan Cada. Humorista.

 

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